Grupo Técnico ABERT/SET de TV Digital
Fevereiro/2003
APRESENTAÇÃO DO GRUPO TÉCNICO ABERT/SET DE TELEVISÃO DIGITAL
O Grupo Técnico ABERT/SET de TV Digital, que ficouconhecido como Grupo ABERT/SET, foi criado em 1994, pela ABERT -Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, que congregaemissoras de rádio e televisão brasileiras, e pela SET - SociedadeBrasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações, que congregaempresas e profissionais que atuam nas áreas de engenharia e afins noscampos de Televisão, Telecomunicações, Rádio e Multimídia.
AoGrupo ABERT/SET foi dada a missão de acompanhar o desenvolvimento,estudar, analisar e avaliar os sistemas de TV digital que sedesenvolviam no mundo, bem como observar sua implantação nos diversospaíses, com o objetivo de colaborar no processo de definição do padrãoa ser adotado no Brasil e no sucesso de sua implantação.
Desde asua criação, o Grupo ABERT/SET, como parte de suas atividades,participou ativamente dos trabalhos da COM-TV - Comissão Assessora paraAssuntos de Televisão, estabelecida pelo Ministério das Comunicações,em 1991, que tinha como objetivo principal o estudo e a análise da "TVde Alta Definição", em desenvolvimento em alguns países do mundo e emdiscussão no âmbito da UIT, que, após o surgimento de sistemasdigitais, passou a ser chamada de "Televisão Digital".
Com aperspectiva de implantação dos sistemas nos Estados Unidos e naInglaterra e a conseqüente disponibilidade de equipamentos para testes,algumas empresas associadas à ABERT e à SET solicitaram ao Ministériodas Comunicações autorização para realizar testes de avaliaçãocomparativa dos sistemas disponíveis, à época apenas o americano - ATSCe o europeu - DVB-T. Coube à Anatel estabelecer a regulamentação que possibilitou a execução de testes em sistemas de TV digital, em 1998.
Dezesseteempresas concessionárias de televisão solicitaram e obtiveramautorização para a realização dos testes. As emissoras, em conjunto,montaram uma estação de televisão digital para os testes de campo. AABERT e a SET firmaram um convênio de cooperação técnica com oInstituto Mackenzie, que, especialmente para este programa, instalou olaboratório e adquiriu a unidade móvel necessários para as medições.Todo esse trabalho, desde o planejamento até a montagem e a realizaçãodos testes, se estendeu de 1998 a 2000 e foi coordenado pelo GrupoABERT/SET. Com a conclusão do desenvolvimento do sistema japonês -ISDB-T, este pode ser incluído nos testes, que se realizaram a partirde 1999.
O produto desses trabalhos coordenados pelo GrupoABERT/SET, sob orientação e supervisão da Agência Nacional deTelecomunicações (Anatel) e do CPqD, por ela contratado paraassessorá-la tecnicamente, constituiu-se de cinco relatórios, todosapresentados à Anatel, contendo a descrição da infra-estruturadisponível e da metodologia adotada para a realização dos testes, osresultados obtidos e a avaliação destes testes. Esses relatórios têmsido utilizados como referência em vários países, e foram responsáveispela indicação do Brasil, representado por um profissional do GrupoABERT/SET, para a coordenação do grupo de trabalho que desenvolverá ametodologia para a avaliação de sistemas de televisão digital daComissão 6 (de Radiodifusão) da ITU-R (Setor de Radiocomunicações daUIT).
Além do programa de testes, o Grupo ABERT/SET realizoudiversos estudos referentes a outros aspectos que envolvem a escolha dosistema para o Brasil, tanto do ponto de vista social quantoindustrial, comercial e mercadológico. Esses estudos envolveram mais de300 reuniões de trabalho, e aproximadamente 50 demonstrações práticasdas aplicações de televisão digital com o objetivo de promover ecapturar a aceitação do público a essa nova tecnologia.
Buscandoaprender com a experiência e as expectativas de outros países emrelação à tecnologia de televisão digital o Grupo ABERT/SET já divulgoue apresentou seus trabalhos em diversos seminários e congressos, noBrasil e em outros países como El Salvador, Argentina, Quênia, Japão,Holanda, EUA e Suíça. Enviou, também, especialistas a vários países,para acompanhamento dos projetos de TV Digital na Argentina, no Japão,na Inglaterra, nos EUA, na Austrália e na Alemanha, além de terrecebido visitas de diversas delegações internacionais interessadas emdiscutir as atividades do grupo relacionadas à TV Digital, entre elas,ATSC, ISDB, ARIB, JEITA, DVB, Japão, Coréia do Sul, México, Argentina eChina.
Com o objetivo de ampliar o entendimento dos diversosaspectos que envolvem a implantação da tecnologia digital em nossopaís, o Grupo ABERT/SET realizou diversas reuniões com órgãos doGoverno, entre os quais o BNDES, o Ministério das Comunicações, aAnatel, o Ministério de Ciência e Tecnologia, o Ministério da Indústriae Comércio e a FINEP, e também com o Congresso Nacional, e desenvolveuvárias atividades com todos os principais representantes da indústriade consumo brasileira, incluindo a realização de pesquisas, a definiçãoda nomenclatura de TV digital, os padrões de transmissão e a definiçãode requisitos básicos dos receptores.
Além disso, o grupo tem,permanentemente, acompanhado as tentativas de inserção de melhorias nossistemas que apresentam problemas, bem como a evolução da implantaçãoda tecnologia digital nos diversos países onde ela ocorreu.
Pelo trabalho que vem realizando, pela experiência que adquiriu sobreTV digital ao longo dos oito anos de sua existência, pelo volume deinformações e análises de que dispõe, tanto do ponto de vista técnicoquanto social, comercial, industrial e mercadológico, que poderão serpreciosos para o trabalho que o Ministério das Comunicações realizará apartir de agora, pode-se dizer que o Grupo ABERT/SET, que é composto deprofissionais e de empresas que vivem o dia-a-dia da radiodifusãobrasileira, constitui uma das equipes mais bem preparadas de que o Paísdispõe para debater o tema TV digital.
A TELEVISÃO ABERTA NO BRASIL
Nos últimos tempos, a radiodifusão brasileira foirelegada a um segundo plano, incompatível com a sua importância, tantopara a Federação quanto para o cidadão brasileiro.
Aradiodifusão está a serviço do público, livre de ônus, diferentementedos serviços de TV por assinatura ou de telecomunicações,possibilitando em todo o território nacional a distribuição deconteúdos produzidos por brasileiros para brasileiros.
Numpaís onde as emissoras de TV aberta são a principal fonte de informaçãoe entretenimento para a população, a migração para as transmissõesdigitais é imprescindível para que ela possa, além de concorrer com asdemais mídias, continuar a prestar seus relevantes serviços àcomunidade.
Carinhosamente apelidada de telinha, o veículomais amado do Brasil completou 50 anos em setembro de 2000. Foi atravésda TV que se conseguiu integrar um país com dimensões continentais comoo Brasil. As imagens recebidas nos 41 milhões de domicílios, queabrigam quase 54 milhões de aparelhos de TV, foram um dos principaisfatores para a formação da identidade nacional.
O público temhoje à sua disposição muitos meios de distribuição de conteúdo. Atravésdo cinema, do rádio, da televisão, das TVs por assinatura (pagas) e daInternet tornou-se possível disseminar cultura, informação eentretenimento para todo o tipo de consumidor. Mas só a radiodifusãonão cobra nada por isso. A TV aberta firmou-se como o mais importanteveículo de comunicação, difundindo nossa cultura, nossa língua, nossoshábitos e costumes em todos os cantos do País.
A digitalizaçãodas transmissões de TV aberta não mudará as características do veículo.O público, além de continuar a ser contemplado com os mesmos serviçosque se acostumou a receber, poderá contar com mais serviços einformações possibilitados pela tecnologia.
EQUÍVOCOS QUE SE TORNARAM MITOS SOBRE A TV DIGITAL
No decorrer dos últimos três anos, período em que as discussões sobreTV digital se ampliaram, uma série de equívocos têm sido colocados aopúblico, alguns deles se sedimentando nos círculos de debates sobre otema. Este fato causa grande preocupação ao Grupo ABERT/SET, poispoderá levar importantes decisões a rumos prejudiciais ao Brasil e àsociedade brasileira. Alguns exemplos são:
· Mito: "O HDTV exigirá um investimento muito maior das emissoras"
Realidade:
· A diferença de custo entre um Transmissor HD e um SD é desprezível;
·Naprodução de eventos esportivos de grande porte (campeonatos de futebol,automobilismo, Olimpíadas), de filmes e de teledramaturgia, a diferençaentre o custo de equipamentos HD e SD é irrelevante;
·Mito: "Não há interesse na recepção móvel"
Realidade:
·O ser humano é por natureza móvel;
·A mobilidade é uma característica inerente aos meios de comunicação atuais;
·Otempo médio gasto no deslocamento casa-trabalho-casa, numa cidade comoSão Paulo é semelhante ao tempo de exposição médio do brasileiro àtelevisão;
·Seria a única aplicação que não poderia ser disponibilizada pelo serviços de TV a Cabo.
· Mito: "As aplicações devem ser introduzidas de modo evolutivo na implantação da TV digital"
Realidade:
·A introdução de aplicações de modo evolutivo diminuem a atratividade do produto TV digital, que impulsionaria sua introdução;
·A introdução das aplicações de modo evolutivo criaria legado, condenando os receptores a serem descartados ao longo do tempo.
· Mito:"Somente um receptor barato, acessível a todas as camadas da populaçãoe que ofereça apenas a melhoria introduzida pela transmissão digital,poderá alavancar a introdução da TV digital no Brasil"
Realidade:
·Este postulado é o oposto do que se verifica na introdução de qualquer nova tecnologia;
·A introdução da TV digital somente pelos receptores baratos limitariaas aplicações a apenas uma parte do que a TV digital poderia oferecerao cidadão;
·Os itens de alto preço na introdução de uma novatecnologia, em pouco tempo tornam-se acessíveis, promovendo a inclusãodo cidadão de baixa renda.
· Mito: "Não há pressa para a definição do padrão de TV digital"
Realidade:
A televisão, além de ser a única fonte de lazer da grande maioria dosbrasileiros, é o único serviço de comunicação realmente universal egratuito no Brasil. Este serviço tão fundamental para o povo brasileirovem sofrendo crescente concorrência de outras mídias, numa claratendência de fragmentação do mercado, podendo vir a perder espaço ereduzir sua participação no bolo publicitário. A introdução da TVdigital, certamente, virá recompor o poder competitivo da televisão.
Considerando que a indústria de receptores demandará algum tempo paradisponibilizar receptores, assim como as emissoras para adaptarem suasplantas transmissoras à tecnologia digital, mesmo que a decisão fossetomada hoje, o seu efeito, ou seja, o início da operação das emissorasno sistema digital e a comercialização dos novos receptores,aconteceria num prazo não inferior a dois anos. O atraso que vemocorrendo na tomada de decisão só resulta em prejuízo para a televisãobrasileira e para o consumidor. Por isto, é fundamental que a decisãosobre o padrão seja tomada o mais rapidamente possível.
PREOCUPAÇÕES DO SETOR DE RADIODIFUSÃO
Foi para que os canais de TV aberta continuem a chegar na casa dotelespectador sem custar um centavo sequer que o Grupo Abert/SET tantose empenhou em estudar a implantação da TV digital no Brasil, e temcomo principais preocupações:
· o oferecimento das melhorescondições possíveis de distribuição e recepção de sinal (modulação),para que o telespectador continue a se preocupar simplesmente em ligarseu televisor e sintonizar seu programa favorito;
· aflexibilização dos modos de recepção, para que o público tenha acesso àprogramação das emissoras onde quer que ele esteja (mobilidade eportabilidade)
· o prazo de implantação do sistema digitalpara não condenar, principalmente, as classes de baixa renda à exclusãoda difusão de informação, entretenimento e educação, evitando ainda queum atraso em relação ao demais países impeça a distribuição de conteúdonacional, prejudicando a exportação de um produto que, atualmente, temreconhecimento internacional.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A NECESSIDADE DE FLEXIBILIDADE NO MODELO DA TELEVISÃO DIGITAL BRASILEIRA
Os desafios da implantação da TV digital no Brasilsão tremendos e, portanto, consideramos que a concepção do modelo de TVdigital para o Brasil deve preservar a saúde financeira das empresasque prestam o serviço, ou seja, as emissoras de televisão, pois distodependerá a continuidade da prestação do serviço. Por isso, o GrupoABERT/SET defende um modelo que privilegie a diversidade e a facilidadede recepção pelo ar e a flexibilidade, para que cada emissora possacontar com as ferramentas necessárias para viabilizar seuempreendimento. Isto se traduz em não tolher as aplicações que atecnologia mais avançada permite e ao mesmo tempo possibilitar umautilização flexível dessas aplicações, nas proporções e nas opções quese mostrarem as mais adequadas para cada emissora, visando o melhoratendimento das expectativas de seu público.
O Grupo ABERT/SETconsidera imprescindível, que o modelo a ser estabelecido permita queas seguintes aplicações possam ser oferecidas, desde o início daimplantação da TV digital, combinadas com total flexibilidade, dentrodo que se mostrar adequado e viável para cada emissora, o que deverávariar de uma empresa para outra, de uma região para outra e de umacidade para outra:
O estabelecimento de um modelo que limite ooferecimento de determinadas aplicações, tanto devido a uma abordagemevolutiva da TV digital quanto por não considerar o potencial dedeterminadas aplicações, não parece ser uma solução adequada para aspossíveis e diferentes estratégias das emissoras, assim como não prevêsoluções diferenciadas para as inúmeras regiões do país, que apresentamuma enorme diversidade cultural e econômica e, portanto, diferentesexpectativas do público telespectador.
O Grupo ABERT/SET vêcom extrema preocupação a intenção de alguns segmentos de prever ofuturo, ou até mesmo tentar projetá-lo com pesquisas de mercado, umavez que as necessidades e as expectativas do público consumidor emrelação à radiodifusão, de fato ainda desconhecidas, certamenteevoluirão muito ao longo de três décadas, período em que a televisãodigital deverá conviver conosco. Considerando, ainda, a velocidade deevolução dos softwares e da capacidade de processamento dosmicroprocessadores, é impossível imaginar-se quais as aplicações queestarão disponíveis, até mesmo em cinco anos.
Desta forma,qualquer limitação imposta à plataforma ou ao modelo de TV digitalpoderá significar um preço muito alto a ser pago no futuro pelasociedade brasileira.
O Grupo ABERT/SET entende ser bastantetemerária a idéia de se estabelecer um rígido modelo de TV digitalantes do seu lançamento, pelo alto grau de desconhecimento que todostemos acerca da probabilidade de sucesso de cada uma das possíveisaplicações. O grupo somente vê como agente da viabilização daimplantação bem sucedida da TV digital a máxima flexibilidade comrelação às aplicações que poderão ser desenvolvidas, às soluçõesindividualizadas de cada rede, às soluções adequadas a cada região dopaís e à possibilidade de adequação da oferta às necessidades edemandas do público consumidor.
O grupo destaca a enormeimportância do HDTV para a televisão digital, em especial no modelo quetem defendido, em que o HDTV poderá ser disponibilizado simultaneamentecom conteúdo interativo e transmissões para receptores móveis eportáteis.
Arrecadação:
Caroline Bezerra Sousa
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Tel.: (61) 3311-6769
Gladstone de Castro de Moraes
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Secretaria Executiva:
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Telefones: (61) 3311-6133 e 3311-6917
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